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| A 1417, Alto da Pedrada, serra do Soajo... |
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| Momentos de alegria, ao lado do Che... |
Nota:
Só quem comungou das mesmas «emoções» é que consegue entender a razão destes rabiscos, pelo que, em primeiro lugar, esta «brincadeira», com laivos de alguma seriedade, é dedicada aos amigos que a viveram comigo, pela primeira vez: Francisco Costa, Paulo Pereira e Álvaro Carneiro, meu marido.
Depois, a todos os caminheiros amigos com quem já vivi grandes e felizes aventuras: Vocês sabem!
Quando lá forem, imaginem uma estória entre um príncipe e uma princesa...
"Hasta Siempre, Comandante"
Eu sabia, Che,
eu sabia que, um dia,
Sophia te tinha cantado,
à sua maneira.
Cantou, denunciando,
«a prudência dos inteligentes»
e o «arrojo dos patetas»
que contra ti se ergueram.
Cantou a «indecisão dos que
complicam»
e o «primarismo daqueles
que confundem revolução com desforra».
É verdade, Che,
a tua imagem, como diz Sophia,
(sublime comparação)
«paira ainda na sociedade de
consumo,
de poster em poster,
como o Cristo exangue
paira no alheamento ordenado
das igrejas»!
Vê lá tu, Che,
que, um dia, surgiste-nos,
subitamente, quem diria,
num recanto paradisíaco da serra do Soajo,
no Alto da Pedrada!
A gente riu, gargalhou e,
na nossa maneira de brincar
e brindar à vida,
arranjamos-te uma princesa linda
e imaginamos-te um romance revolucionário,
com muito amor nos intervalos!
Era disparatado,
o romance, surreal, recambulesco, direi mesmo!
Mas, o mais importante nele,
é que tu eras um príncipe,
e, por isso, tinhas de namorar
uma princesa!
Não vou dizer-te
o nome da princesa, Che,
pois, certamente, não irias gostar da escolha,
não pela sua irreverência e beleza,
mas por aquilo que ela simbolizava!
Para o caso, naquele momento,
ela era irrelevante, embora necessária
no desenrolar da ação!
O importante,
o importante mesmo, é que tu
eras príncipe,
o protagonista,
na estória que inventámos!
Decidimos, então,
para fechar a narrativa,
que a tua imagem, ali desenhada ,
era a marca da saudade
de uma princesa que te perdera...
ou, talvez,
a melancolia de um caminheiro idealista
que te guardou, intacto,
na sua memória revolucionária.
Brincávamos, é certo, Che,
mas...
no que diz respeito a mim,
em frente do teu rosto,
por momentos,
eu meditei na adolescente que,
à noite, no seu quarto,
«procurava emergir de um mundo»
que, infelizmente, «apodrece!»
Reconstrui a púbere menina que,
quase no outono da vida,
insiste em eternizar, na alma,
as papoilas vermelhas e as searas ondulantes
que doiram de sol os seus dias!
Eu sabia, Che,
eu sabia,
que a graça e a força da tua essência,
comoveu, um dia,
a Sophia!
Nota: Tenho cá para mim que,
quando «cantámos» juntos, à tua beira, a
canção «Hasta Siempre, Comandante», sobretudo o refrão, porque o resto não sabíamos, os adolescentes, que ainda nos habitam, regressaram ao seu
quarto onde, à noite, procuraram «emergir» de um mundo que continua à deriva...
ana
maria dias da cunha
Aqui vai, então, o poema de Sophia de Mello Breyner
Che Guevara
Contra ti se ergueu a prudência dos inteligentes e o arrojo dos patetas
A indecisão dos complicados e o primarismo
Daqueles que confundem revolução com desforra
De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de consumo
Como o Cristo exangue paira no alheamento ordenado das igrejas
Porém
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"


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