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domingo, 23 de abril de 2017

CHE GUEVARA, a 1417 m, no Alto da Pedrada, Serra do Soajo...



A 1417, Alto da Pedrada, serra do Soajo...

Momentos de alegria, ao lado do Che...



 Nota:
  
Só quem comungou das  mesmas «emoções» é que consegue entender a razão destes rabiscos,  pelo que, em primeiro lugar, esta «brincadeira», com laivos de alguma seriedade,  é dedicada  aos amigos que  a viveram comigo, pela primeira vez: Francisco Costa, Paulo Pereira e Álvaro Carneiro, meu marido. 
Depois, a todos os caminheiros amigos com quem já vivi grandes e felizes aventuras: Vocês sabem!
Quando lá forem, imaginem uma estória entre um príncipe e uma princesa...



"Hasta Siempre, Comandante"

Eu sabia, Che,
eu sabia que, um dia,
Sophia te tinha cantado,
à sua maneira.

Cantou, denunciando,
«a prudência dos inteligentes»
e o «arrojo dos patetas»
que contra ti se ergueram.


Cantou a  «indecisão dos que complicam»
e o «primarismo daqueles
que confundem revolução com desforra».


É verdade, Che,
a tua imagem, como diz Sophia,
(sublime comparação)
 «paira ainda na sociedade de consumo,
de poster em poster,
como o Cristo exangue
paira no alheamento ordenado
das igrejas»!

Vê lá tu, Che,
que, um dia, surgiste-nos,
subitamente, quem diria,
num recanto paradisíaco da serra do Soajo,
no Alto da Pedrada!

A gente riu, gargalhou e,
na nossa maneira de brincar
e brindar à vida,
arranjamos-te uma princesa linda
e imaginamos-te um romance revolucionário,
com muito amor nos intervalos!

Era disparatado,
o romance, surreal,  recambulesco, direi mesmo!
Mas, o mais importante nele,
é que tu eras um príncipe,
e, por isso, tinhas de namorar
uma princesa!

Não vou dizer-te
o nome da princesa, Che,
pois, certamente, não irias gostar da escolha,
não pela sua irreverência e beleza,
mas por aquilo que ela simbolizava!
Para o caso, naquele momento,
ela era irrelevante, embora necessária
no desenrolar da ação!

O importante,
o importante mesmo, é  que tu eras príncipe,
o protagonista,
na estória que inventámos!


Decidimos, então,
para fechar a narrativa,
que a tua imagem, ali desenhada ,
era  a marca da saudade
de uma  princesa  que te perdera...

ou, talvez,
a melancolia de um caminheiro idealista
que te guardou, intacto,
na sua memória revolucionária.


Brincávamos, é certo, Che,
mas...
no que diz  respeito a mim,
em frente do teu rosto,
por momentos,
eu meditei na adolescente que,
à noite, no seu quarto,
«procurava emergir de um mundo»
que, infelizmente, «apodrece!»

Reconstrui a púbere menina que,
quase no outono da vida,
insiste em eternizar, na alma,
as papoilas vermelhas e as searas ondulantes
que doiram de sol  os seus dias!

Eu sabia, Che,
eu sabia,
que a graça e a força da tua essência,
comoveu, um dia,
a Sophia!



Nota: Tenho cá para mim que, quando «cantámos» juntos, à tua beira,  a canção «Hasta Siempre, Comandante», sobretudo o refrão, porque o resto não sabíamos,  os adolescentes,  que ainda nos habitam, regressaram ao seu quarto onde, à noite, procuraram «emergir» de um mundo que continua  à deriva...

ana maria dias da cunha



Aqui vai, então, o poema de Sophia de Mello Breyner

Che Guevara
Contra ti se ergueu a prudência dos inteligentes e o arrojo dos patetas

A indecisão dos complicados e o primarismo
Daqueles que confundem revolução com desforra

De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de consumo
Como o Cristo exangue paira no alheamento ordenado das igrejas

Porém
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"


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