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Cristo, o pensador. Casa museu José Régio-Portalegre
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| "Ferramentas" de trabalho de José Régio... |
Já quando visitei a
casa museu de Vila do Conde, eu fiquei verdadeiramente impressionada com a
colecção de Arte Sacra de José Régio, sobretudo a colecção de Cristo
crucificado. Foi, contudo, na casa museu de Portalegre, cidade onde foi
professor, de 1928 a 1962, que eu fiquei absolutamente perplexa.
Li que José Régio perdera a fé entre os catorze e os dezoito anos (a qual fora sempre algo «muito problemático e poroso à perfídia dúvida») e, por isso, fiquei atónita perante a sua adoração a Cristo.
Não obstante a perda de fé, os espaços mais intimistas onde se movia mostram-nos um ser profundamente religioso.
Não sei precisar, ao certo, o número de «Cristos» que vi! Sei que vi muitos!
Incomodou-me sobremaneira ver tantos Cristos crucificados, em tão grande sofrimento, apesar de saber que, conforme nos catequizaram, foi opcional.
Li que José Régio perdera a fé entre os catorze e os dezoito anos (a qual fora sempre algo «muito problemático e poroso à perfídia dúvida») e, por isso, fiquei atónita perante a sua adoração a Cristo.
Não obstante a perda de fé, os espaços mais intimistas onde se movia mostram-nos um ser profundamente religioso.
Não sei precisar, ao certo, o número de «Cristos» que vi! Sei que vi muitos!
Incomodou-me sobremaneira ver tantos Cristos crucificados, em tão grande sofrimento, apesar de saber que, conforme nos catequizaram, foi opcional.
A humanidade por quem
Ele se sacrificou não era digna de tanta dor, e continua a não merecer que,
todos os anos, se comemore tamanho
suplício.
Deve ser, por isso, que eu não me «dou lá muito bem» com esta época festiva, a Páscoa.
Nesta visita, porém, vi «Aquele Cristo» que mais se conjuga com o meu sentir. Um Cristo pensativo e desiludido com a espécie humana, um Cristo consumido na dor da impotência, perante tanta malvadez, tanta ganância, tantos vendilhões de Templos, tantos Judas traiçoeiros, tantos aduladores, tantos Pilatos que lavam as mãos...
Deve ser, por isso, que eu não me «dou lá muito bem» com esta época festiva, a Páscoa.
Nesta visita, porém, vi «Aquele Cristo» que mais se conjuga com o meu sentir. Um Cristo pensativo e desiludido com a espécie humana, um Cristo consumido na dor da impotência, perante tanta malvadez, tanta ganância, tantos vendilhões de Templos, tantos Judas traiçoeiros, tantos aduladores, tantos Pilatos que lavam as mãos...
Ana Maria Dias da Cunha



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