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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Não inventamos NADA...


Em Siracusa, uma das cidades mais monumentais da Sicília, ilha banhada por três mares, Jónico, mediterrâneo e Tirreno, fiz uma visita à zona arqueológica de Neapolis....

" Demorei-me"  um pouco mais no Teatro Grego e "viajei" até um passado remoto onde TUDO já estava inventado...
No pórtico superior do Teatro, sede  da cooperação dos actores, existia (e existe  ainda) uma fonte que tornava poeta quem bebesse dessa água.

 No período Bizantino, nele, foram construídas tumbas, das quais restam apenas as cavidades... Refresquei numa delas, porque o calor era abrasador....




Era assim  a catarse emocional...



Ao amanhecer,
a pólis conduzia homens, mulheres e crianças,
para o declive da encosta...


Todo o Negotium ficava suspenso
e a cidade reorganizava-se na tranquilidade!


A multidão expurgava-se de todos os erros
que pesavam como  chumbo!


Ésquilo  provava-lhes  que  a força física,
nada podia contra o Poder do espírito!


Sófocles demonstrava-lhes que o livre arbítrio
exigia muita responsabilidade!


Eurípedes exemplificava-lhes como o amor e o ciúme
transformam os homens em densidade!


Eram representações  do terror e da piedade,
que os desnudavam,  diante deles próprios  
e dos seus destinos...


De alma purgada  e vazios de dor,
regressavam à pólis cheios de serenidade!


Até que o ciclo se repetisse!

Ana Maria Dias da Cunha

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