Bem Vindos ao "mundinho" dos FARISEUS (no sentido depreciativo do termo)!
Quadro de Paula Rego
Mundo cão...
Arrastava a miséria pelas ruas vagabundas
e dormia em tendas de medo e agonia!
Do seu coração,
descompassado de dor e gritos arritmados,
escorriam rios de angústia gelada!
A razão rastejava em terreno lodaçal,
e o seu desesperado sentimento suplicava o milagre-
da morte!
Foi a vida que triunfou!
Pousou, então, o filho nu
«naquilo» que mais se assemelhou a um berço-
O con-ten-tor...
E, pelas ruas miseráveis da cidade,
continuou a arrastar pedaços placentários
e o cheiro infame da vergonha!
Derruída de frio e fraqueza,
ia assistindo ao julgamento dos fariseus moralistas
que a condenavam já em praça pública!
Ana Maria Dias da Cunha


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