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terça-feira, 7 de março de 2017

Há ilhas que nos ficam gravadas...



Jameos del agua em...

Lanzarote

ReEUcontro!



Qual Eurídice,
picada pela cobra venenosa da traição,
desci ao mais profundo de mim.


Morri, uma vez mais, de desilusão!

Fugia da cobiça dos «Aristeus»
e da mesquinhês de seus cúmplices
quando, já cansada da corrida,
a língua viperina me anulou!


E foste tu, « meu Orfeu rebelde»,
que, com as tuas canções  tão tristes,
amaciaste o coração de Hades  e ousaste resgatar-me!


Porém, essa libertação tinha um preço.
E nós  obrigámo-nos a cumpri-lo!

E foi, aqui, que contrariámos a mitologia grega!

À minha frente,
tu caminhavas determinado, resoluto,
com o olhar fixo num mundo superior.


Eu, cautelosamente,
seguia os teus passos, atenta aos tropeções,
aos teus  conselhos, e obedecendo às ordens
implacáveis de Hades!


Não, não olhaste para trás,
porque eu não caí, não te distraí na tua 
determinação que, naquele momento, 
também já era minha!


Não, eu não queria voltar àquele mundo inferior...
Eu queria subir contigo  à luz do Sol,
e continuarmos  juntos a caminhada
rumo ao infinito!


Ana Maria Dias da  Cunha

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