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sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

 REFLEXÃO


Com um pormenor do túmulo de Vincenzo Bellini, na catedral de Santa Ágata, Catânia- Sicília.

Astúcia, Inteligência ou Sabedoria/Bondade?

(A Bondade é a parte da Sabedoria que não vê inimigos, mas seres que anseiam e buscam, de diferentes formas, repouso, abertura, alegria, segurança, acolhimento, sentido de vida. Exactamente como tu e eu, nós...). 

    Quando olho à minha volta, cada vez mais assisto ao desfilar de pessoas, cujo sentido oportunista, a seu bel-prazer, as leva ao uso e abuso da astúcia, essa coisa primitiva,  instintiva, muito próxima da animalidade, para ser mais exacta.

Como sabemos, a sabedoria é uma componente fundamental da inteligência. É, sem sombra de dúvida, um estado de alma, uma condição, resultante de uma profunda compreensão do mundo e da condição humana. Na verdade,  não nascemos com esta qualidade suprema. Esta adquire-se com a vida: experiências de todo o género, leituras que contribuem para o aprofundamento do conhecimento e, consequentemente, do autoconhecimento, que nos ensina a humildade, a capacidade de reconhecermos as nossas limitações e defeitos, bem como a pensar e a tomar decisões de uma forma serena e desapaixonada.

Sim, a sabedoria é acção. Sim, não basta pensar bem, não basta ter conhecimento e entender as coisas. A sabedoria obriga-nos, acima de tudo, a saber agir bem, a resolver problemas de forma eficaz, mas, primordialmente, com ética e decência. É difícil o acesso a este patamar da condição humana, tendo em conta estes pressupostos, porém, seria alcançável, se a astúcia não povoasse as mentes “mais iluminadas”, que não olham a meios para atingir os fins. 

Não basta, todavia, ser inteligente. A inteligência, qualidade humana que, na sua origem latina, significa entendimento, como todos sabemos, pode ser avaliada e quantificada (a comprová-lo estão aí os tão famosos Quocientes de Inteligência (QI(s)), pese embora, na actualidade, serem objectos de extrema controvérsia).

Penso que, de uma maneira geral, uma grande maioria da humanidade está cansada de ver pessoas inteligentes, com QI(s) elevadíssimos, a agir muito mal, sem escrúpulos, vigarizando e dando golpes gigantescos, de maneiras “inteligentíssimas”, usando e abusando da astúcia, para conseguirem os seus intentos. Todavia, como a verdade, muitas vezes, emerge, estes “seres sapientes” acabam por se “queimar” (sei que muitos, consciente e “inteligentemente”, permanecem indiferentes às consequências dos seus actos, porque se "sentem" deuses  intocáveis...), uma vez que lhes faltou, ou falta, o conhecimento maior, a sabedoria que, como vimos, implica ética e decência.

    Tendo em conta o que grassa no mundo, onde acontecem obscenidades intoleráveis, chega-se à conclusão de que, para se conseguir viver com justiça, ética, decência e, consequentemente, em harmonia, o ser humano precisa de evoluir imenso, pois encontra-se na estaca zero.

    A humanidade só atingirá a verdadeira maturidade, quando a astúcia reconhecer a importância da inteligência e quando souber recorrer a esta para atingir a sabedoria/ bondade.

Ana Maria Dias da Cunha

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