Da credibilidade do AMOR!
( Descobri mais um Romeu e sua Julieta!)
Eu quero acreditar em contos de fadas e em verdadeiras histórias de amor! Ou melhor, tenho necessidade de acreditar!
Estando na ilha Esmeralda, as visitas a
castelos, cheias de estórias, lendas, contos de fadas e histórias de amor foram
uma constante. Todos eles, quer em ruínas, quer abandonados, quer habitados por
novos “passageiros de Viagem” me enriqueceram o coração e, por uns tempos,
preencheram vazios que teimavam povoar o meu imaginário.
Foi, contudo, no Parque Nacional de Connemara,
no Condado de Galway, que o meu coração se comoveu de encantamento, abriu uma
réstia de crença na humanidade que, pelas evidências, caminha para o abismo. A
primeira impressão, quando vi o Castelo ao longe, Kylemore Abbey, foi de evasão
para a galáxia do sonho! Parecia-me tudo irreal, e eu, de repente, estava com
uma varinha de condão na mão, tinha-me transformado em fada voadora e sentia
todos os poderes sobrenaturais para transformar as guerras em paz, a fome em
abundância, a tristeza em alegria, o ódio em amor e, num ápice, acabar com
todas as obscenidades sociais gritantes que escavam, cada vez mais fundo, um
gigante fosso entre ricos e pobres.
Quando ouvi a história de amor que deu origem
à construção deste castelo fiquei muito emocionada, embora me tenha
questionado acerca da sua sumptuosidade. Depois, percebi!
Eram tempos de crença, cavalheirismo, desinteresse, abnegação, promessas que se cumpriam e se eternizavam no tempo. A concepção de Kylemore Abbey nasce da vontade de um médico inglês, chamado Mitchell Henry, que estava muito apaixonado pela sua esposa. Conta a história que o casal romântico, ao passar por este local idílico, aquando da sua viagem de lua de mel, Margueret se terá deixado seduzir por este paraíso natural. O seu marido, não resistindo a este enamoramento, prometeu a Margueret que mandaria construir ali um castelo para onde se mudariam e continuariam a viver a sua linda história de amor. Assim aconteceu, quando morreu o pai de Mitchell e ele herdou a sua grande fortuna! Voltou com a sua esposa para Connemara, comprou 15.000 hectares de terreno onde mandou erguer este belíssimo castelo.
Construído entre 1867 e 1871, com a ajuda de 100 operários locais, que ficaram muito agradecidos à generosidade do casal amoroso, não só por terem sido geradores de empregos, mas também por fornecerem água potável canalizada (o castelo possui um sistema de canalização próprio e muito moderno para a época, incluindo o jardim) e, anos após a sua construção, ter servido de escola para os filhos dos operários.
Ora, em 1874, após quatro anos da conclusão da sua construção, numa viagem ao Egipto, Margaret adoeceu gravemente e, para grande desgosto de Henry, faleceu. Arrasado pela dor e pelo desgosto, decidiu mostrar que seu amor seria mais do que eterno! Para o perpetuar, mandou construir uma mini catedral gótica em homenagem à sua amada, e um mausoléu onde descansam, ainda agora, lado a lado, os dois maiores amantes da história inglesa que escolheram a ilha Esmeralda para viver o seu Amor!
Em 1909, o castelo foi vendido ao Duque e a Duquesa de Manchester, que residiram ali vários anos, antes de terem sido forçados a vender a casa e o jardim por causa das dívidas ao jogo. Em 1920, as freiras da Ordem Beneditina da Bélgica, após lhes ter sido destruída, durante a primeira Guerra Mundial, a sua abadia, fugiram para Kylemore, onde construíram uma nova abadia, dentro do castelo. Por isso, ainda hoje, não é permitido a visita a todos os compartimentos do castelo.
Além do castelo, do mausoléu, da mini catedral gótica e toda história linda e trágica dos donos, este castelo tinha e tem um belíssimo jardim, Victoria Walled Garden! Foi criado no final dos anos 1860, sendo esse um dos últimos grandes jardins do período e o maior da Irlanda. Originalmente, os Jardins possuíam vinte e uma estufas de vidro que produziam todos os tipos de frutas e legumes exóticos. Mas, ao longo dos anos, como o Abbey mudou de mãos várias vezes, o jardim entrou em declínio e abandono.
Nos
dias de hoje, o esplendor regressou aos jardins. Restaurado e aberto ao público
em 2000, os jardins murados em Kylemore são visita obrigatória quando se visita
Connemara. Duas estufas foram novamente colocadas, junto à casa do jardineiro
chefe e à casa dos trabalhadores.
Passear pelas flores e hortas de Kylemore Abbey e ver as casas que eram utilizadas pelos funcionários foi uma agradável viagem no tempo!
Embora a chuva tenha começado a cair com uma certa abundância, consegui recuar no tempo e sentir a magia do amor que ainda paira no ar...
Passear pelas flores e hortas de Kylemore Abbey e ver as casas que eram utilizadas pelos funcionários foi uma agradável viagem no tempo!
Embora a chuva tenha começado a cair com uma certa abundância, consegui recuar no tempo e sentir a magia do amor que ainda paira no ar...
Ana Maria Dias da Cunha




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