Curiosidades
A vivacidade das portas da República da Irlanda
Deambulando por algumas ruas de Dublin, é inevitável que o nosso olhar não se prenda no colorido impactante das portas de alguns prédios, cujas fachadas, ora são cinzentas, ora são cor de tijolo.
Impõem-se, cheias de charme e vivacidade!
Esta vida e cor é uma herança inglesa, que remonta ao início do Séc. XVIII até meados do Séc. XIX, e o seu nome, Arquitectura Georgiana, deve-se ao nome dos reis da época, da casa de Hanover, uma sucessão de Georges.
Num período de relativa paz, os ingleses, dominadores da Irlanda, procederam a uma reforma urbana, que teve início ainda nos finais do Séc. XVII. Esta reforma consistiu no derrubamento de uma boa parte da velha cidade medieval, recriando-se Dublin com ruas mais largas, saneamento e com “ares aristocráticos”, à medida dos britânicos e seus descendentes.
Essas construções, porém, cavaram mais fundo o conflito entre irlandeses e ingleses e eram símbolo da separação entre os católicos de origem irlandesa e os protestantes, descendentes de britânicos. O povo da cidade não morava em casas georgianas e, após a Independência da Irlanda, em 1922, essas construções foram desprezadas e abandonadas.
Actualmente, porém, em Dublin, as portas compõem um cenário colorido, curioso e ímpar. São guardiãs de muitas casas, residências de famílias comuns, e pontos turísticos, como museus, muito presentes nesta cidade.
A História e a Lenda
Reza a história que, em 1861, após a morte do príncipe Albert, a sua esposa, rainha Victória, com quem esteve casado 21 anos, ficou num luto profundo. O seu desgosto acentuou, ainda mais, a distância que mantinha com o povo irlandês. A sua significativa falta de popularidade intensificou-se, mais ainda, devido à Grande Fome, que matou milhares de vidas e obrigou outros tantos milhares a deixar a ilha esmeralda.
Conta-se que, logo após o anúncio de luto, a rainha teria ordenado que todas residências amanhecessem com bandeiras pretas postas na frente de cada casa. Dessa medida drástica, surge a desobediência de um irlandês que, em forma de protesto, teve a ideia de colorir as portas. A este acto de “rebeldia” aderiram muitas pessoas que, nessa época da Grande Fome, estavam muito revoltados com a atitude dos ingleses.
Quanto à escolha do tom (verde, azul, preto, vermelho e amarelo), esta opção não é consensual. Há historiadores que defendem que essas eram as opções mais acessíveis na época.
Conta-se, porém, haver uma outra teoria por detrás desta ideia! E, uma vez mais, as mulheres irlandesas, aqui, são as protagonistas. O que despoletou esta atitude de colorir as portas tem raízes mais descontraídas e, digamos, funcionais! De acordo com esta teoria, a ideia teria surgido das labutas das mulheres, que estavam cansadas de ir buscar os maridos bêbedos, que batiam nas portas erradas, quando vinham dos pubs.😉
Adoro as duas ideias, sinceramente.
A primeira, porque mostra o carácter irlandês, que preza a liberdade e despreza o autoritarismo e a subjugação.
A segunda, porque mostra uma vez mais a sageza das mulheres irlandesas e o “proteccionismo” aos maridos.😀
Em Dublin, eu escolhi a porta nº 10, um azul suave que estava condizente com a minha sobriedade (Ainda não tinha ido ao pub)!!😊


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